segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cento e dois anos da melhor poesia

Se vivo estivesse, hoje Carlos Drummond de Andrade completaria 102 anos.
Talvez não houvesse um melhor motivo para eu escrever aqui hoje.
Quando leio Drummond é como se alguém tivesse me lido e transformado em poesia.
De coisas comuns, como uma pedra no caminho, ele fez poesia. Sem muita rima, sem muita pompa. Simplemente aquilo que vê, aquilo que sente.
Não sou entendedora de literatura, não pretendo discutir isso. Essa é a minha visão dos escritos deste autor - comum e  perfeito pra mim...

AS SEM RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Olha eu aqui outra vez!

Há mais de dois anos que não publico algo aqui.
Não sei porque, não me lembro o que aconteceu, mas deixei de publicar meus sentimentos aqui.
Não me lembrava mais da senha, nem do endereço, nem mesmo que era Blogger.
Ando lendo alguns blogs ultimamente, e até me lembrei que tinha uma página deste tipo, mas nem fui procurar... Não me lembrava de nada.
Cheguei a criar no começo deste ano uma página no Wordpress, com intenção de publicar textos sobre escolhas de carreira, área profissional que me interessa, mas acho aquilo tudo lá tão complicado que nunca publiquei uma mensagem sequer.
Por isso, por acaso, hoje entrei no endereço www.blogger.com. E qual não foi minha surpresa ao ver que eu estava LOGADA no meu esquecido blog!!!! Nossa, é mesmo, era esse o nome "Pensar é um ato. Sentir é um fato"!!!!
QUE LEGAL!!!
Que interessante ler coisas que escrevi há mais de três anos atrás, perceber sentimentos da época.
Muita coisa ainda bastante familiar, mas acho que melhorei a minha forma de escrever.. rs
Que redundância é essa? Cade o acento grave?
Por que isso não mudou?

Tanta coisa aconteceu na minha vida desde 2009 pra cá... E eu ainda sou um mar de sentimentos que nem eu mesma entendo...
Pronto! Acho que tenho bons ingredientes para escrever aqui de novo.
Então até mais... quem sabe!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Menos igreja, mais religiosidade!

12/03/2009 - 08h35
Igreja Renascer monta ringue de vale-tudo em templo para atrair mais jovens a culto em SP
Folha On Line

Essa é a manchete de uma das notícias que veio á tona hoje. Se refere a um campeonato de luta-livre, que aconteceu no ultimo sábado. Teve 4 rounds e terminou com o perdedor estirado no chão....

Frente a esta notícia e a postada anterior eu pergunto: religião, no modelo das igrejas na atualidade, ainda se configura com uma religação a Deus, a algo superior que nos eleve???

Hunf... Fico indignada com essas coisas.. Perco até as palavras..

Ainda não se encontraram com Jesus Cristo ainda. Se encontraram com um amontoado de palavras que talvez tenham soado de forma bonita, mas sem conteúdo e agora às seguem sem crítica.. Pra muitos, isso é que é religião..

quinta-feira, 5 de março de 2009

Érika: Católica, contra o aborto, A FAVOR DA VIDA!!!

Arcebispo excomunga médicos e parentes de menina que fez aborto
Garota de 9 anos teria sido violentada pelo padrasto.Médico diz que havia risco de morte caso gravidez continuasse.

(Fonte: Site G1 - 05/03/09)


O arcebispo de Olinda e Recife disse que a lei dos homens não é maior que a lei de Deus. Nisso eeu concordo plenamente com ele. Mas será que 3 vidas não poderiam ser perdidas caso essa gravidez fosse adiante??
Teria uma criança condição física e psicológica pra cuidar de outras DUAS crianças??

Tem-se visto uma posição tão acusadora contra esse aborto, mas quase nada tem se falado do abusador. Acho que estão desviando o foco.
O que tem que nos alarmar é o fato de uma criança de apenas 9 anos ter sido feita de vitima de abuso sexual e o fato só ter sido descoberto quando a menina ficou grávida de gemeos.
Esse é o crime maior: violentar a inocência de uma criança.
Se houve aborto, acredito que na tentativa de preservar pelo menos um pouco esta criança.
...
Enfim, só expressando aquilo que acho sobre isso tudo..

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Freud - sublimação ou deslocamento??????

Amor, então também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
Que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

(PAULO LEMINSKY)

domingo, 20 de julho de 2008

.:*:.

Sem nada pra dizer
Sem sentido pra dizer algo
Então nada digo
Apenas apareço, por assim dizer, porque convem aparecer!

Mas espero ter algo a dizer logo...
*.*ºººº Sleeping, maybe so!! kkkkkkk

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Bem no Fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria de ver
nossos problemas resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada, e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.

-PAULO LEMINSKY

terça-feira, 1 de julho de 2008

22 anos

E agora José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?



E AGORA???
Todo começo de ano e todo aniversário é essa pergunta que me faço.
Nunca fui fã dessas datas de passagem, ou melhor, que indicam que estamos passando.
A vida tá passando, mas muitas vezes eu não passo com ela.
Mas todo inicio é regado de esperança.
Para este novo ano em minha vida algumas coisas a realizar, que vou descrever abaixo para documentá-las:
* pesquisar grupos esportivos (ao menos ler)
* tirar minha carteira de motorista
* me amar mais
* comprar coisas que preciso
* ...
Nossa, que confusão...
Enfim, é isso!
22 anos - Uma vida que apenas começa!

domingo, 29 de junho de 2008

Cansada

Acordei hoje com um "estranho" cansaço.
Cansei-me de mim mesma.
Cansei-me da vida que levo.
Cansei-me de ir dormir charando e acordar com os olhos inchados.
Cansei-me de correr atrás de quem não me quer.
Cansei-me de falar e não ser ouvida.
Cansei-me de esperar uma mudança na vida que me leve a ter "sentimentos superiores".
Cansei-me de tantas coisas...
Mas ainda assim, continuo sendo a mesma, e essa mesmice me cansa mais ainda...

sábado, 28 de junho de 2008

Eu, by VINICIUS DE MORAES

O incriado

Distantes estão os caminhos que vão para o Tempo – outro luar eu vi passar na altura
Nas plagas verdes as mesmas lamentações escuto como vindas da eterna espera
O vento ríspido agita sombras de araucárias em corpos nus unidos se amando
E no meu ser todas as agitações se anulam como as vozes dos campos moribundos.

Oh, de que serve ao amante o amor que não germinará na terra infecunda
De que serve ao poeta desabrochar sobre o pântano e cantar prisioneiro?
Nada há a fazer pois que estão brotando crianças trágicas como cactos
Da semente má que a carne enlouquecida deixou nas matas silenciosas.

Nem plácidas visões restam aos olhos – só o passado surge se a dor surge
E o passado é como o último morto que é preciso esquecer para ter vida
Todas as meias-noites soam e o leito está deserto do corpo estendido
Nas ruas noturnas a alma passeia, desolada e só em busca de Deus.

Eu sou como o velho barco que guarda no seu bojo o eterno ruído do mar batendo
No entanto como está longe o mar e como é dura a terra sob mim...
Felizes são os pássaros que chegam mais cedo que eu à suprema fraqueza

E que, voando, caem, pequenos e abençoados, nos parques onde a primavera é eterna.
Na memória cruel vinte anos seguem a vinte anos na única paisagem humana
Longe do homem os desertos continuam impassíveis diante da morte
Os trigais caminham para o lavrador e o suor para a terra
E dos velhos frutos caídos surgem árvores estranhamente calmas.

Ai, muito andei e em vão... rios enganosos conduziram meu corpo a todas as idades
Na terra primeira ninguém conhecia o Senhor das bem-aventuranças...
Quando meu corpo precisou repousar eu repousei, quando minha boca ficou sedenta eu bebi
Quando meu ser pediu a carne eu dei-lhe a carne mas eu me senti mendigo.

Longe está o espaço onde existem os grandes vôos e onde a música vibra solta
A cidade deserta é o espaço onde o poeta sonha os grandes vôos solitários
Mas quando o desespero vem e o poeta se sente morto para a noite
As entranhas das mulheres afogam o poeta e o entregam dormindo à madrugada.

Terrível é a dor que lança o poeta prisioneiro à suprema miséria
Terrível é o sono atormentado do homem que suou sacrilegamente a carne
Mas boa é a companheira errante que traz o esquecimento de um minuto
Boa é a esquecida que dá o lábio morto ao beijo desesperado.

Onde os cantos longínquos do oceano?... Sobre a espessura verde eu me debruço e busco o infinito
Ao léu das ondas há cabeleiras abertas como flores – são jovens que o eterno amor surpreendeu
Nos bosques procuro a seiva úmida mas os troncos estão morrendo
No chão vejo magros corpos enlaçados de onde a poesia fugiu como o perfume da flor morta.

Muito forte sou para odiar nada senão a vida
Muito fraco sou para amar nada mais do que a vida
A gratuidade está no meu coração e a nostalgia dos dias me aniquila
Porque eu nada serei como ódio e como amor se eu nada conto e nada valho.

Eu sou o Incriado de Deus, o que não teve a sua alma e semelhança
Eu sou o que surgiu da terra e a quem não coube outra dor senão a terra
Eu sou a carne louca que freme ante a adolescência impúbere e explode sobre a imagem criada
Eu sou o demônio do bem e o destinado do mal mas eu nada sou.

De nada vale ao homem a pura compreensão de todas as coisas
Se ele tem algemas que o impedem de levantar os braços para o alto
De nada valem ao homem os bons sentimentos se ele descansa nos sentimentos maus
No teu puríssimo regaço eu nunca estarei, Senhora...

Choram as árvores na espantosa noite, curvadas sobre mim, me olhando...
Eu caminhando... Sobre o meu corpo as árvores passando...
Quem morreu se estou vivo, por que choram as árvores?
Dentro de mim tudo está imóvel, mas eu estou vivo, eu sei que estou vivo porque sofro.

Se alguém não devia sofrer eu não devia, mas sofro e é tudo o mesmo
Eu tenho o desvelo e a bênção, mas sofro como um desesperado e nada posso
Sofro a pureza impossível, sofro o amor pequenino dos olhos e das mãos
Sofro porque a náusea dos seios gastos está amargurando a minha boca.

Não quero a esposa que eu violaria nem o filho que ergueria a mão sobre o meu rosto
Nada quero porque eu deixo traços de lágrimas por onde passo
Quisera apenas que todos me desprezassem pela minha fraqueza
Mas, pelo amor de Deus, não me deixeis nunca sozinho!

Às vezes por um segundo a alma acorda para um grande êxtase sereno
Num sopro de suspensão a beleza passa e beija a fronte do homem parado
E então o poeta surge e do seu peito se ouve uma voz maravilhosa,
Que palpita no ar fremente e envolve todos os gritos num só grito.

Mas depois, quando o poeta foge e o homem volta como de um sonho
E sente sobre a sua boca um riso que ele desconhece
A cólera penetra em seu coração e ele renega a poesia
Que veio trazer de volta o princípio de todo o caminho percorrido.

Todos os momentos estão passando e todos os momentos estão sendo vividos
A essência das rosas invade o peito do homem e ele se apazigua no perfume
Mas se um pinheiro uiva no vento o coração do homem cerra-se de inquietude
No entanto ele dormirá ao lado dos pinheiros uivando e das rosas recendendo.

Eu sou o Incriado de Deus, o que não pode fugir à carne e à memoria
Eu sou como velho barco longe do mar, cheio de lamentações no vazio do bojo
No meu ser todas as agitações se anulam – nada permanece para a vida
Só eu permaneço parado dentro do tempo passado, passando, passando...